Bondade

Vão para a terra onde manam leite e mel. Mas eu não irei com vocês, pois vocês são um povo obstinado, e eu poderia destruí-los no caminho”. Êxodo

A melhor oportunidade, o melhor lugar, a mudança de vida. Talvez isso seja o que a maioria de nós esperamos que aconteça em nossas vidas, pois receber uma boa notícia muda até mesmo nosso humor. Quem não se anima quando recebe a promessa de que vai para um lugar melhor? Uma casa melhor; esperança de fartura e prosperidade; ainda mais se nossa condição não é boa, se estamos em um tempo de adversidade. Pense então em escravos foragidos em meio a um deserto, pessoas socialmente renegadas, juradas de morte e que ao longo de sua vida haviam sofrido maus-tratos, apreensivos e desumanizados. E que até o momento só haviam recebido o chicote e a punição. Será que eles ficariam felizes com a mudança de vida?

Embora nossa resposta seja óbvia, a palavra de Deus nos apresenta uma perspectiva diferente. Eles se entristeceram! Porque Deus ao revelar as boas novas, também, expõe a natureza deles “pois vocês são um povo obstinado” e em seguida lhes informa, “mas eu não irei com vocês”. Por que Ele não iria? Porque se Ele fosse poderia destruí-los.

O povo então chorou. Porque como escravos, reconheciam a Deus como libertador, sabiam que sua ausência, ainda mais com uma justificativa tão pesada, representava a sentença de morte, e além disso, em Deus tornaram-se novamente um povo; integrados, acolhidos e protegidos de uma maneira que jamais haviam experimentado.

Ora, Deus estava enviando-os a um lugar maravilhoso e ao invés de mata-los por sua natureza pecaminosa, estava deixando que eles partissem livres. Realmente podemos perceber a graça e misericórdia de Deus. Mas a graça de Deus sem a sua presença é a celebração sem o célebre ou a promessa sem as garantias. Assim sentira o povo naquele momento, além do reino, queriam o Rei. Pois o reino de Deus não é leite e mel, mas o trono e o seu monarca estabelecido, ordenando as bênçãos ao seu povo.

É exatamente neste momento de criticidade e dúvidas, que surge uma das histórias mais enigmáticas e belas da Bíblia, no meu ponto de vista. Moises, amigo de Deus, em um bate-papo revela seu apreço e admiração a Deus o qual lhe retribui com carinho e amizade.

Então Moisés lhe declarou: “Se não fores conosco não nos envies. Como se saberá que eu e o teu povo podemos contar com o teu favor, se não nos acompanhares? Que mais poderá distinguir a mim e a teu povo de todos os demais povos da face da terra?” Êxodo 33:15-16.

Moises, simplesmente questiona o “como”, a prova, a evidencia e o saber que eles são povo de Deus. Se Deus não está em seu meio? Se não veem Deus ao lado deles?

Como você pode servir a Deus se Ele não anda contigo? E como te reconhecerão como servo se não podem ver Deus em sua vida?

A resposta de Deus a Moises faz jus ao texto de Isaias que diz que os pensamentos dEle comparados aos nossos são distantes como o céu está para a terra.

O Senhor disse a Moisés: “Farei o que me pede, porque tenho me agradado de você e o conheço pelo nome”.

Poderia ter havido uma repreensão, um discurso, uma negativa divina formulada no padrão e na conduta de vida do povo hebreu, mas não houve. O que houve foi demonstração da graça. Assim é o nosso Deus! Se Ele se agrada de ti, se o conhece pelo nome, pode mudar todo um destino, revelando a sua graça e misericórdia.

Moises pede ao Senhor, então, que se revele a ele, mas Deus lhe diz que fará passar por Moises sua bondade, enquanto lhe esconde em uma fenda de uma rocha; e depois disto Moises verá as suas costas.

Deus faz um acordo verbal com Moises e chancela com uma epifania. O homem comum daria um aperto de mãos como dois cavaleiros, ou o abraço de uma parceria. Mas com Deus acontece a revelação de sua natureza divina àquele homem.

E nós, ao lermos as escrituras, nos deleitamos desse momento; onde a bondade precede o caminho de Deus e Ele a faz passar toda diante de Moises. Isso transcende a nossa compreensão de espaço-tempo de maneira que o desejo de nosso coração é de que o mesmo ocorra conosco.

Deus se revela a Moises ali no deserto, para depois se revelar a humanidade como Cristo, e mais tarde a nós como Espirito Santo. E em todas as ocasiões a sua bondade sempre precede seu caminho.

É bom em alguns momentos sentirmos tristeza, porque ela nos traz à realidade – a fragilidade humana, mas melhor ainda é sabermos que Deus reverte uma a situação adversa por amor. Quem sabe se pedirmos a Ele, até andará conosco, ainda que isso lhe seja demasiado e penoso, mas o fará porque Ele é bom e sua bondade dura para sempre.

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