A Igreja na Pós-Modernidade (Parte 2)

Procurei mostrar na primeira parte do texto a realidade que nós estamos inseridos, entendendo assim o tempo em que vivemos. A igreja como parte dessa sociedade pós-moderna deve estar pronta para dar a resposta adequada, isso é o que passo a analisar agora…

UMA RESPOSTA DA IGREJA

Diante deste cenário, temos como igreja, de dar uma resposta para este mundo pós-moderno, pois, apesar da Bíblia nos ensinar que somos peregrinos e que não somos mais deste mundo ela também nos ensina por outro lado a transformar o mundo pela renovação da nossa mente. Assim é responsabilidade da igreja dar uma resposta.

Pensando que vivemos em mundo onde uma verdade absoluta não faz o menor sentido e nós como crentes em Cristo, afirmamos que existe uma única verdade e que toda a realidade passa pelo crivo do plano eterno do Soberano Deus, como podemos mostrar relevância no cenário em que vivemos?

Esse é o desafio para a igreja de nossos dias, não somente para o mundo, mas também para os que estão em nossas trincheiras, labutando conosco, não é uma resposta tão simplista, mas também não há nada de novo a ser acrescentado àquilo que nosso Senhor já nos ensinou.

Sugiro aqui seguirmos uma linha bem delineada por Francis Schaeffer [1], como uma resposta para o tempo em que vivemos. Assim como ele sugere o uso da apologética como forma de defender a fé, como forma de comunicar o cristianismo histórico e também como defesa, saliento que nossa parte não é ficar na defensiva, mas apresentarmos a verdade do cristianismo como a única resposta para o homem, bem como de todas as suas inquietações.

Nossa responsabilidade é grande diante deste momento, pois temos o compromisso de nos mantermos fiéis a Deus e a sua verdade e nos mantermos íntegros diante desta presente era.

Temos a responsabilidade de passar a outros essa verdade, para que a próxima geração continue a defender o cristianismo histórico, autêntico e verdadeiro, devo amar as pessoas as quais ensino e por esse amor deixar um legado permanente que produzam frutos sem vivermos alienados aquilo que acontece em nosso redor.

Também temos o compromisso de mostrarmos ao mundo que a verdade do cristianismo é mais do que uma religião, é uma proposta de vida, é uma resposta a todas as inquietações da humanidade é o que dá todo o sentido para a vida do homem sobre a face da terra e mostrar que não estamos caminhando aqui penosamente sem um rumo, sem um destino, mas que há um sentido lógico para a vida e para a existência.

Devemos, portanto, ainda que seja penoso, transmitir nossa fé, apresentar as pessoas que o sistema de vida de fé em um Deus único e verdadeiro ainda é, e sempre será, o único caminho para os problemas mais profundos do homem.

“Apologética cristã não significa viver fechado em um castelo com uma ponte levadiça e, de quando em quando, atirar uma pedra por sobre o muro. Ela não deve fundar-se numa mentalidade de fortaleza… Se o cristão adotar uma postura como esta, na teoria ou na prática, seus contatos com quem aderiu ao pensamento do século XX serão cortados… Ela deve ser entendida e praticada de forma coerente com os sobre saltos e o contato vivo com a geração presente”. [2] Com essa citação quero afirmar que não podemos nos fechar em nosso mundo e ficarmos de braços cruzados enquanto o “bonde passa”. O cristianismo deve ser algo vivo, caso contrário estaremos decretando a “morte” da igreja.

A resposta da igreja diante do tempo pós-moderno é mostrar a real e viva esperança que há em Cristo, mas isso não será capaz de transformar vidas se não estivermos “conectados” com o nosso tempo, ou seja, temos que mostrar que ainda aquilo que parece ultrapassado e velho pode se renovar a cada dia e transformar a vida dos homens que estão, como em todos os tempos, buscando um significado para vida.

E somente o cristianismo histórico pode responder a essas inquietações do ser-humano. Portanto a base da nossa fé é tanto bíblica quanto histórica e o conhecimento do tempo em que estamos nos abre portas para penetrar na vida das pessoas de forma que elas se sintam tocadas pela verdade.

A resposta da igreja é mostrar que Deus existe, e não somente a ideia de Deus, mas um Deus soberano que controla todas as coisas, independentemente do homem, ou daquilo que ele se propõe a fazer. Deus é mais do que uma ideia abstrata, Ele existe, Ele é real. Essa verdade deve ser vivida e ensinada, de forma que isso possa ser demonstrado para as pessoas ao nosso redor.
Nosso cristianismo não pode ser algo morto, nem ser colocado como um peso sobre as pessoas, antes sim deve ser mostrado como uma liberdade do jugo do pecado que já carregamos. Aceitar as verdades transformadoras do evangelho, não é uma troca de jugo, é experimentar a liberdade que traz alegria ao coração mais desesperado e esperança para aqueles não veem mais nada em que possam se apegar.

O grande problema da igreja não está em demonstrar ao mundo o poder transformador do evangelho, o grande problema são os cristãos se conscientizarem que essa verdade já o transformou. Enquanto os cristãos estiverem dominados pelo sentimento de que não podem mostrar essa realidade transformadora, porque nem eles ainda a experimentaram em sua inteireza, não poderão abalar o mundo com as verdades da Palavra de Deus.

Deus é a resposta para esse mundo pós-moderno, mas esse Deus deve ser vivido intensamente na vida dos cristãos. Não podemos acreditar que as pessoas vão aceitar a verdade se nós levarmos uma verdade que ainda não foi experimentada por quem declara conhece-la.

O Cristão deve conhecer seu tempo e conhecer o seu Deus, deve vivenciá-lo numa experiência verdadeira que é demonstrada na prática, precisamos conhecer o que as pessoas pensam e como podemos abordá-las com o evangelho de Jesus Cristo e com seu poder transformador.

Creio que a igreja pós-moderna tenha que voltar para o olhar os princípios da igreja primitiva, ali havia uma clara demonstração de amor e não somente isso, mas também uma vida de verdadeira comunidade.

Creio que se queremos mostrar ao mundo que o evangelho é relevante para o nosso tempo, temos que viver de maneira experiencial esse evangelho, temos que amar uns aos outros e mostrar que a “nossa tribo” tem algo além de meras palavras, tem uma verdade transformadora, que é demonstrada na prática, na forma de vida, na experiência diária. Assim responderemos os mais profundos anseios do homem, porque apesar de toda a tecnologia da pós-modernidade, o homem tem se tornado o um ser isolado e solitário, o evangelho restaura isso. O evangelho o coloca em um contato íntimo com o Deus Todo-Poderoso.

[1] Francis Schaeffer, teólogo e grande pensador do século XX, delineou a linha do desespero em filosofia, arte, música, cultura geral e teologia. Um homem a frente de seu tempo já previa e ou entendia para onde o mundo estava se dirigindo. Suas obras mais famosas foram: O Deus que intervém, a Morte da Razão e O Deus que se Revela.

[2] Francis Schaeffer, O Deus que Intervém, pg. 213.

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