A Batalha pela Verdade

Amados, embora estivesse muito ansioso por lhes escrever acerca da salvação que compartilhamos, senti que era necessário escrever-lhes insistindo que batalhassem pela fé uma vez por todas confiada aos santos (Judas 3 – NVI).

A defesa da verdade sempre foi e sempre será nossa grande batalha, desde o início Satanás tem tentado afastar o homem da verdade de Deus e no decurso dos anos o trabalho de nosso inimigo tem sido o mesmo. Por isso Judas está escrevendo para crentes que tenham o desejo de lutar pela verdadeira fé, crentes estes que estão de fato preparados para batalha pela verdade, os chamados, amados em Deus Pai e guardados em Cristo Jesus. Havia uma clara demonstração por parte de Judas que apesar do conteúdo da carta, ele esperava uma resposta positiva destes “amados” a quem ele direciona a carta. O autor não somente fala do amor de Deus, mas também demonstra amor para com os seus leitores, esse amor o leva a os advertir contra a presença dos falsos mestres.

1. A Batalha Pela Verdade: Defendendo a Fé

É Certo que a princípio Judas tencionava escrever sobre a salvação comum entre eles, enquanto Judas empregava toda a diligência para escrevê-los a respeito deste assunto, foi que direcionado pelo Santo Espírito de Deus, mudou o teor da sua carta.

Judas destaca a diligência a qual ele estava usando para escrevê-los acerca da salvação comum, provavelmente um tratado teológico/doutrinário, ou alguma coisa do gênero, que bem provável não era nada polêmico, era algo como tratar a doutrina da salvação “lidando, provavelmente, com assuntos como o pecado e a culpa do homem, o amor e graça de Deus, o perdão dos pecados e o modo de vida transformado que segue ao novo nascimento” (Bíblia de Estudos NVI, pg. 2163).

Havia em Judas até certa ansiedade em tratar desse assunto, por isso esta demonstração de tamanho interesse em escrever-lhes sobre a salvação, na mente de Judas era muito importante naquele momento escrever sobre tal assunto. E para tratar desse assunto, apesar de não polêmico, era necessário que Judas empregasse toda a diligência, o cuidado de não comprometer verdades tão profundas e transformadoras para a vida daqueles a quem Judas escreve.

Vale à pena destacar que a salvação a qual ele iria tratar era comum a eles, os “amados” a quem Judas se dirige eram salvos e necessitavam disto. Mas havia algo mais urgente do que um tratado teológico sobre a salvação, que se tratava de mestres do erro que estavam se infiltrando no seio da igreja e poderia perverter os caminhos retos os quais os salvos andavam. Não havia razão para escrever um tratado sobre a salvação se a igreja estava ameaçada por alguns, que queriam destruir a pureza do evangelho.

Para que haja uma pregação eficaz do evangelho é necessário que haja na igreja uma boa doutrina, para que não tenha na igreja pessoas que apenas pensam que são crentes, mas não o são. Durante este trabalho de escrever sobre a salvação, Judas sente-se compelido pelo Espírito Santo a escrever sobre este outro assunto, ele apenas estava esclarecendo, através deste rápido histórico, que era necessário fazer algo urgente contra os mestres do erro que se infiltravam “porteira” a dentro da igreja.

Judas interrompeu um tratado o qual ele achava oportuno para tratar de algo mais urgente, o que demonstra que a ocorrência de tal problema era algo muito superior à necessidade de escrever-lhes sobre a salvação. Até por razões óbvias de nada adiantaria escrever um tratado sobre salvação se haviam mestres do erro se infiltrando na igreja, e por mais importante que seja falar sobre a salvação, era de muito maior importância exortar a igreja a batalhar pela fé. Precisamos de crentes aptos para pregar a salvação, mas precisamos mais ainda de crentes aptos para defender a fé que professamos. Não há como haver uma verdadeira e coerente pregação do evangelho se não há um bom corpo doutrinário

2. A Batalha Pela Verdade: Defendendo a Boa Doutrina.

Eles os exorta, e anos também, a batalhar, pois certos indivíduos estavam se infiltrando sorrateiramente, com falsas doutrinas, e para Judas este era o motivo de toda a sua grande preocupação. Por isso era necessário a igreja se preparar para enfrentar esse mestres do erro. E a idéia dele é a de justamente de uma batalha, como em uma competição. A palavra derivada de “batalhassem” vem da raiz da palavra que significa luta; nos escritos do apóstolo Paulo esta palavra tem a idéia de esforçar-se sobremaneira, combater. E é o que Judas está tentando passar para os seus leitores. Essa disposição de batalhar pela verdade, não permitir de forma alguma a proliferação da mentira em relação à fé que foi entregue aos santos.

Judas está chamando os cristãos à responsabilidade de lutarem com todas as forças, diligentemente, em prol da é cristã, a “fé que, de uma vez por todas, foi entregue (confiada) aos santos”. Era necessária uma ação urgente por parte dos destinatários da carta de Judas, pois eles tinham a responsabilidade de batalhar, pela fé, fé esta que é a norma da vida cristã, Judas está falando aqui da fé que foi entregue à igreja, a responsabilidade de zelar pela verdade da tradição da Palavra de Deus, escrita através dos seus escolhidos. Judas está falando do corpo de verdades doutrinárias, teológicas, aplicativas, etc., que os apóstolos deixaram como legado para eles. Não havia como fugir da responsabilidade, pois este corpo da revelação divina estava em suas mãos e não poderiam permitir que os falsos mestres deturpassem em nada aquilo que Deus lhes dera através dos apóstolos.

Este legado foi lhes passado por uma autoridade superior, a autoridade do próprio Senhor. Paulo usa estes termos para se referir à tradição cristã, suas doutrinas, a lei (AT.), que foram outorgadas juridicamente pelo Senhor. Eles deveriam batalhar, pelo Senhor, pelas suas verdades, seria uma batalha árdua, mas era necessária essa luta, pois haviam mestres do erro se infiltrando sorrateiramente, estavam se introduzindo secretamente, uma palavra sinistra, a uma idéia de que estes homens estavam pervertendo a verdade de maneira bastante sutil. Assim como eles, nós devemos batalhar, afim de que não entre em nossos arraiais o falso ensino, que corrói e destrói a verdade do evangelho, somos nós, os guardiões da verdade.

Ao que parece eles intentavam minar os alicerces de maneira bastante furtiva, desfazendo a verdade com ensinos do erro. Ao contrário do que aconteceu em Éfeso, onde Paulo exorta a igreja contra os falsos mestres, pois lá em Éfeso os falsos mestres eram os próprios presbíteros da igreja.

Aqui ao que tudo indica estes irracionais estavam vindo de fora e se infiltrando, calmamente, para destruir o todo doutrinário daquilo que Deus havia entregado aos santos, separados para fazer e viver a vontade de Deus. Estas verdades não poderiam ser destruídas, eles deveriam lutar com “unhas e dentes” para impedir a entrada e proliferação destas falsas doutrinas.

A idéia de Judas é que esta luta deve ser travada até que a verdade prevalece e seja restabelecida. Sem que haja prejuízo para a igreja, e que os santos devem vencer a batalha da fé, pois é por essa fé que eles são dirigidos em suas vidas.

3. A Batalha Pela Verdade: O Triunfo da Fé

Quando Judas fala que foi entregue aos santos “de uma vez por todas”, quer dizer que essa fé não pode ser alterada, não pode ser deturpada. Portanto a boa doutrina que defendemos baseada na Palavra de Deus não pode ser destruída. Vale à pena lembrar que Judas enfatiza de maneira muito singela esta fé que foi entregue aos santos, pela qual se deve batalhar, mostrando que de fato esta fé não é uma fé comum, mas uma fé necessária a todos os santos.

Eles deveriam batalhar pela fé contra estes tais homens que penetram de maneira sorrateira e aparentemente despretensiosa, pois eles eram guardiões da verdade revelada por Deus, este grupo de Cristãos deveriam ser fiéis àquilo que lhes havia sido confiado. Portanto Batalhando contra estes falsos mestres. Por esse fato desde a introdução Judas quer mostrar a importância deste grupo, lembrando aquilo que eles são, por quem são amados e guardados e de quem vem a misericórdia a paz e o amor para vencerem esta batalha, contra estes tais que estão se infiltrando na igreja com suas falsas doutrinas. Esses cristãos verdadeiros deveriam lutar contra estes que tinham apenas aparência de cristãos, mas na verdade, estavam apenas se escondendo, e escondendo aquilo que eles realmente eram e manifestando de maneira destrutiva suas idéias.

Conclusão

Defender a fé exigirá de nós o conflito, não uma postura cordial que parece grassar em nossos dias, a indiferença, a timidez não podem ser opções para os crentes quando o evangelho está sendo atacado. Precisamos de corajosos homens e mulheres destemidos a defender a verdade e não cairmos no engodo da serpente.

“Por mais vital que seja alistar-nos na guerra da verdade e o batalharmos pela nossa fé, é ainda mais importante o lembrar-nos por que estamos lutando – não meramente pela emoção de vencermos um inimigo ou ganharmos um argumento, e sim motivados por amor genuíno a Cristo, que é a encarnação viva e dinâmica de tudo que consideramos verdadeiro e digno de lutarmos em seu favor”. (John MacArthur, A Guerra pela Verdade – Editora Fiel).

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